terça-feira, 23 de janeiro de 2018

O filho, a mãe, o pai, a família: o bêbado que sou

O filho, a mãe, o pai, a família: o bêbado que sou - Você não beberás mais! A partir de agora você não beberás mais! - por que não beberás mais? - Porque já está crescendo e eu não comprarei mais! - como ele não beberás? Se quem compra sou eu! Por que estás a negar que ele beba? Ele beberás sim, pois quem compra sou eu! - não senhora! Ele já está criado, ele agora comerás! - não senhor! Ele beberás! - vou saindo, irei ao bar, para afogar as minhas mágoas! - cheguei! Estou aqui no sofá da sala, caído, deitado, escornado, largado! - levanta! Levanta! Saia dessa vida! por que você está aí caído? Por que bebeu? - estou bêbado! não é de sua conta! Estou aqui caído, bebo, mas é com o meu dinheiro! - mais o que é isso aí mesmo? - ele está bêbado porque eu falei que o menino beberás! E ele disse que o menino não beberás, porque não comprarás mais o que ele beber! - mas quem compra sou eu! - não senhora, quem manda aqui nessa casa sou eu!E não importa, não quero saber, agora irei me embriagar. Estou embriagado aqui no chão, caído deitado, largado, escornado. - levanta! Levanta rapaz! Saia dessa vida! Sua família é uma família linda! - chegou alguém! - cadê ele? - está no quarto, caído no chão, escornado, deitado... E algo aconteceu! - por que aconteceu? - não sei! Não sei! - coloquem a visita para fora, agora! - um mau cheiro impregna a sala, está nos quatro cantos da casa entranhados nas entranhas da casa, parece algo sobrenatural. Algo saiu e não entrarás mais! Está saindo! O que é aquilo? Olha menino! Eita retada! Cospe se, cospe se, não para de cuspir, e algo extraordinário, ordinário aconteceu! - a visita já foi embora, mas ela continua. Vamos limpar o que não agrada! - pega no pé! Pega na mão! Vamos levar para tomar banho, passa o champô, passa o sabonete, passa tudo, tira, passa a mão, limpou, já foi, acabou. Agora é hora de falar a verdade, por que você não levantou? Por que fez isso? Por que não levantou? - é algo inexplicável, é algo vergonhoso que não pode se repetir, e isso se acaba aqui, essa sobrenatural história cabral, e tchau! Ass: João Batista de Oliveira (estudante do VIII semestre de letras, UNEB, Irecê)